Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Nem tudo vai mal, afinal...

Tenho estado ausente. Daqui, deste cantinho blogosférico, não do lugar físico que é a cidade. 

Hoje, talvez para deixar escapar um pouco a tensão acumulada, decidi dar um passeio por Lisboa. Enfiei o capacete na cabeça, coloquei os indispensáveis óculos protectores e fiz-me às ruas da cidade, de mota, debaixo de um sol abrasador, um dia quente, quente mesmo. Desci até à Baixa da cidade. Parei a mota ali na rua dos Sapateiros, numa das poucas vagas que ainda vão existindo para estacionar, pois até para uma mota já é complicado, e decidi executar aquele que para mim é um ritual quando vou àquela zona: tomar um café e comer um pastel de nata. Sempre, mas sempre que para ali vou, não deixo de ir à Rua Augusta, agora pedonal, à Casa Brasileira. Ia com a ideia de trazer depois uma meia dúzia daqueles pastéis, como algumas vezes faço. Pastéis de nata há muitos mas, aqueles, há muito tempo que os considero dos melhores que já comi e faço questão de trazer sempre alguns ao ponto de já ter levado alguns para bem longe de Portugal. Hoje não foi um dia desses. Por razões de falecimento de alguém da casa, a mesma estava fechada, com um cartaz afixado a comunicar o facto. Voltarei, em outra hora e dia. 

Aproveitei para dar um passeio maior, apanhar uma lufada de ar fresco, mesmo que estando bem quente, espairecer as ideias. Precisava de estar só comigo mesmo. Os últimos tempos foram de muita ansiedade, receios e, sobretudo de muitas idas e vindas a médicos, hospitais, centros de exames. Não para mim mas mais preocupante do que se fosse para mim. 

Enfim, resumindo, porque não vale estar a entrar em grandes pormenores, uma biópsia, dias de expectativa a aguardar resultados e apesar de negativos, carecia de uma intervenção cirúrgica com alguma urgência.

Em menos de um mês, consultas, exames, cirurgia.

Um acompanhamento médico competente, uma assistência de pessoal médico, enfermagem e pessoal auxiliar excelente. Um cuidado hospitalar extraordinário.

Não, não foi em nenhum serviço privado. Foi nos hospitais públicos.

Não, não conhecia ninguém.

Não, não tive de pedir favores a ninguém.

Não, não queria acreditar que isto iria ser assim quando a situação se iniciou.

Pensamos logo que, vamos para hospitais públicos e estamos... lixados. Meses de espera, locais pouco dignos, pessoal pouco prestável. Nada mais errado. Claro que nem tudo pode ser perfeito em todos os momentos. E, haverá por vezes algum caos. Porém, depois de idas e vindas, dias e dias entre o Hospital de Santa Maria e o Hospital Pulido Valente, consultas aqui, exames ali, etc, a única situação que considero que ainda não está boa é mesmo a questão da burocracia: tira senha aqui para depois tirar senha ali, para depois estar à espera da consulta tal ou para marcar uma consulta ou um exame. Este o único ponto discordante. 

Mas, contráriamente a todas as expectativas iniciais, deparei-me com um quadro de pessoal excelente, preocupados, interessados, a maioria bem jovens, quase sempre com uma boa disposição e um sorriso nos lábios, sem rodeios mas sensíveis. Para quem já percorreu os serviços de unidades de saúde privadas não deixou de comentar que nem nessas tinha sido tão bem tratada. Eficiência mas sem mordomias, profissionalismo e muita competência acima de tudo.

Percebe-se porque precisava de arejar. Agora tudo já está bem, a andar na sua rotina diária. Já posso deixar sair tudo aquilo que me fazia andar para a frente mas sempre em alta tensão. E foi isso que fiz. Andar, levar com o ar na cara, sentir a liberdade do sol e do calor da cidade, o alcatrão escaldante, o rio com o seu brilho peculiar, a luz espectacular desta cidade.

Porque, afinal, nem tudo vai mal.

Ainda há quem arregaçe as  mangas e dê de si mais do que se espera.

Outros há que jamais arregaçarão as mangas. Mas é compreensível, enquanto usarem fatos caros e apertados e gravatas de seda, artefactos que os impedem, não só de chegarem fácilmente às mangas das ditas camisas como até de se mexerem com alguma ligeireza. Mas... 

Se há que dar valor, enaltecer e elogiar, são aqueles que arregaçam as mangas os dignos destinatários desse pequeno reconhecimento. 

Repetindo-me, porque afinal, nem tudo vai mal!


publicado por Francisco às 00:47
link do post | comentar | favorito
7 comentários:
De Jose Chumbo a 5 de Julho de 2017 às 00:15
Sr Francisco
o Sr andou no colegio Lusitano, e teve como professora a D. Beatriz, mais tarde foi para o colegio Portugal. Contacte-me pois eu também la andei, e tenho fotos da altura.
Cumprimentos


De Francisco a 5 de Julho de 2017 às 22:39
Caro amigo, sendo quem penso que é lembro-me de si, em velhas fotografias da sala de aula, assim de como alguns dos nomes de outros que la estavam: Valente Ramos, Valentim e Jorge Capote são apenas os que me vêm à lembrança. E, já lá vão... uns meros 51 ou 52 anos. É bom saber de si e mais pela forma como chegou a mim. Para melhor contacto envie a forma de o contactar pessoalmente para o meu mail: fgnunes@sapo.pt
Um grande abraço


Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 32 seguidores

.arquivos

.posts recentes

. A mudança

. O Novo Mundo

. Desafio para escrita cria...

. Novas ferramentas...

. Terapia ocupacional

.links

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
14

15
16
17
18
20

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.tags

. filhos

. bricolage

. motas

. reciclar

. benfica

. crise

. descanso

. economia

. felicidade

. fome em portugal

. lisboa

. mota na cidade

. pais

. pobreza

. saudade

. adeus

. animais domésticos

. brinquedos

. companhia

. cozinheiro

. todas as tags

.pesquisar

 
SAPO Blogs

.subscrever feeds